Como seus silêncios e o uísque barato me ensinaram controle` **Mood:** `Reflexivo / Sombrio`





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O ar na arena estava saturado com o cheiro de suor, champanhe barato e a mentira deslavada que o Vince vomitou em cima do Bret.

Eu podia sentir a raiva querendo rasgar o teto da arena.

Se eu ficasse lá mais um minuto, eu teria transformado o ringue — e todos que estavam nele — em pó. Caminhei até não sentir mais os dedos.

Acabei em um canto esquecido de Montreal.

Um bar de motoqueiros onde a luz era fraca e a fumaça parecia uma névoa de guerra.

Na TV, o *Screwjob* passava em reprise.

De novo. O público na arena gritava, os caras aqui no bar riam.

"Olha o otário!" um deles gritou, batendo na mesa. "Perdeu o título e a dignidade na mesma noite!"

O sangue na minha cabeça começou a ferver.

A estática no meu pulso direito aumentou, fazendo o vidro da minha cerveja vibrar contra o balcão.

Eu estava a meio segundo de explodir aquele grupo, de usar a bio-entropia para transformar o fígado deles em cinzas, sem nem tocar neles.

Eu me virei. O punho brilhava com aquele roxo elétrico. Eu ia quebrar todos. Mas então, uma mão pesada pousou no meu ombro. Parecia um bloco de granito. O peso daquela mão anulou a minha estática, como um aterramento em um circuito de alta voltagem.

Eu congelei.
*** [ Tags: #Montreal #Screwjob #Traição #WWF ]` ---
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Ele não olhou para mim.

Estava encarando o copo de uísque barato, com costeletas que pareciam lâminas e olhos que já tinham visto o fim do mundo umas dez vezes. "Você não vai aguentar uma briga com seis caras, garoto," ele rosnou.

A voz parecia cascalho sendo moído.

"Se você explodir agora, vai levar o bar, a rua e metade desse quarteirão pro inferno junto. E eu não estou a fim de perder meu uísque por causa de um 'queridinho' da WWF."

Ele me soltou. O peso daquela mão ainda ardia na minha clavícula. Eu olhei para os motoqueiros.

Depois para ele.

Ele estava calmo.

Uma calma de predador que sabe que não precisa provar nada.

"Eles não valem o seu esforço," ele continuou, a voz quase um sussurro.

"O Bret Hart sabe o que aconteceu.

O mundo vai esquecer. Mas você? Você ainda tem um longo caminho para aprender a carregar esse peso que você chama de 'sorte'."

Eu me sentei novamente, o corpo ainda vibrando com a energia . Ele tinha razão.

O ódio por aqueles motoqueiros era só uma desculpa.

O meu ódio era pelo mundo inteiro. Ele me olhou de relance.

Um aviso silencioso.

Ele não me perguntou quem eu era, nem pediu autógrafo.

Ele só me deu o que eu não conseguia me dar: limites. Aprendi hoje que o controle não vem de gritar ou de bater. O controle vem de saber que você *pode* destruir tudo, mas escolher deixar o copo em cima do balcão. Obrigado pelo uísque e pelas conversas

estranho, depois de alguns meses de conversas e distancias,não consigo te chamar pelo seu codinome, o Wolverine que eu vejo não é o dos jornais e revistas,eu conheço o Logan.


Você não tem ideia do quanto esse silêncio me salvou de mim mesmo.


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