🖥️ Simulação de Post: The Demon Inside (Arquivo Retrô - 1997)
Título: Entry #08: Nós de Fazenda, Cicatrizes de Aço
Data: 28 de Agosto, 1997 | 03:15 AM
Mood: Frustrado / Machucado
O céu de Nova York ainda tenta se curar daquele roxo elétrico do ano passado.
O Onslaught quase apagou o mundo em 96, mas o fim do mundo parece continuar na moda agora em 1997, só que com outro nome: Operação Tolerância Zero.
Nas ruas aqui de Louisville, a paranoia virou uma arma letal.
Com o Bastion e seus "Sentinelas Prime" caçando qualquer um que pareça um milímetro diferente, as pessoas não olham mais para o vizinho; elas procuram por marcas, por sinais, por qualquer coisa que nos entregue como "aberrações". Todos têm medo de que o próprio amigo seja um desses ciborgues disfarçados do governo.
Eu saí ontem depois do show da OVW. O sobretudo do meu avô ainda pesa nos meus ombros como se carregasse o Texas inteiro. Ele cheira a tabaco, terra e a uma segurança que eu já não sinto mais desde que saí de Austin
Prendi a Matrioshka na corrente da cintura e tentei ser o que eu via nos filmes de vigilantes.
Levei pedaços de corda de cânhamo, amarrei com os nós que o Wade me ensinou a fazer para prender gado.
Achei que poderia ser um laço.
Achei que poderia ser um herói para alguém no meio dessa caça às bruxas do governo.
Foi um erro grotesco.
Tentei parar um cara que estava batendo em uma garota num beco. Lancei a corrente com o nó preparado. O impacto... o retorno da física foi violento demais.
A corrente bateu na minha própria costela com a força de um chicote de aço. Eu devia ter quebrado cada osso do meu peito, mas o Vetor agiu por puro instinto, desviando a trajetória para algo menos fatal.
Eu não sangrei. De novo. E o cara que eu tentava parar me olhou como se eu fosse um monstro — talvez achando que eu era um daqueles Sentinelas de metal do Bastion — porque a corrente, ao bater no meu corpo, simplesmente ricocheteou como se tivesse atingido uma placa de titânio. Eu não sou um justiceiro.
Eu sou um erro de percurso.
As pessoas lá fora querem que alguém as salve dessas máquinas da Tolerância Zero, mas elas não suportariam ver o que realmente as salvaria.
Elas odeiam a mutação, mas amam a violência.
Eu não acendo mais as luzes do apartamento, acho que o escuro me acolhe mais.
Amanhã vou costurar o sobretudo.
Ponho a Matrioshka no criado mudo, o zunido dela me acalma.
Depois do banho eu penso: Acho que vou parar com as cordas.
Porem a voz do meu avô grita em meus ouvidos como se estivesse do meu lado
Você é um homem ou um saco de batata? Neto meu não desiste na primeira tentativa !
Um pequeno sorriso veio aos meus labios e as ultimas palavras que eu disse antes de dormir foram: Não vou desistir.
[ Comentários (0) ][ Tags: #Onslaught #JustiçaAmadora #Cicatrizes #Texas #Falha #ZeroTolerance ]
O Onslaught quase apagou o mundo em 96, mas o fim do mundo parece continuar na moda agora em 1997, só que com outro nome: Operação Tolerância Zero.
Nas ruas aqui de Louisville, a paranoia virou uma arma letal.
Com o Bastion e seus "Sentinelas Prime" caçando qualquer um que pareça um milímetro diferente, as pessoas não olham mais para o vizinho; elas procuram por marcas, por sinais, por qualquer coisa que nos entregue como "aberrações". Todos têm medo de que o próprio amigo seja um desses ciborgues disfarçados do governo.
Eu saí ontem depois do show da OVW. O sobretudo do meu avô ainda pesa nos meus ombros como se carregasse o Texas inteiro. Ele cheira a tabaco, terra e a uma segurança que eu já não sinto mais desde que saí de Austin
Prendi a Matrioshka na corrente da cintura e tentei ser o que eu via nos filmes de vigilantes.
Levei pedaços de corda de cânhamo, amarrei com os nós que o Wade me ensinou a fazer para prender gado.
Achei que poderia ser um laço.
Achei que poderia ser um herói para alguém no meio dessa caça às bruxas do governo.
Foi um erro grotesco.
Tentei parar um cara que estava batendo em uma garota num beco. Lancei a corrente com o nó preparado. O impacto... o retorno da física foi violento demais.
A corrente bateu na minha própria costela com a força de um chicote de aço. Eu devia ter quebrado cada osso do meu peito, mas o Vetor agiu por puro instinto, desviando a trajetória para algo menos fatal.
Eu não sangrei. De novo. E o cara que eu tentava parar me olhou como se eu fosse um monstro — talvez achando que eu era um daqueles Sentinelas de metal do Bastion — porque a corrente, ao bater no meu corpo, simplesmente ricocheteou como se tivesse atingido uma placa de titânio. Eu não sou um justiceiro.
Eu sou um erro de percurso.
As pessoas lá fora querem que alguém as salve dessas máquinas da Tolerância Zero, mas elas não suportariam ver o que realmente as salvaria.
Elas odeiam a mutação, mas amam a violência.
Eu não acendo mais as luzes do apartamento, acho que o escuro me acolhe mais.
Amanhã vou costurar o sobretudo.
Ponho a Matrioshka no criado mudo, o zunido dela me acalma.
Depois do banho eu penso: Acho que vou parar com as cordas.
Porem a voz do meu avô grita em meus ouvidos como se estivesse do meu lado
Você é um homem ou um saco de batata? Neto meu não desiste na primeira tentativa !
Um pequeno sorriso veio aos meus labios e as ultimas palavras que eu disse antes de dormir foram: Não vou desistir.

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